Ao analisar testes genéticos de um Welsh Corgi Pembroke, é comum encontrar três classificações principais: CLEAR, Carrier e At Risk (ou Affected, dependendo do laboratório).
Entre elas, At Risk costuma ser a que gera mais dúvidas e preocupação. Mas o que esse resultado realmente significa? O cão obrigatoriamente desenvolverá a doença? Ele pode ser utilizado na reprodução?
Neste artigo, explicamos o conceito de forma clara e baseada na genética veterinária.
O que significa AT RISK?
Um cão classificado como AT RISK apresenta duas cópias da mutação genética pesquisada para determinada doença hereditária.
Em doenças de herança autossômica recessiva, isso indica que o cão possui o genótipo associado ao risco de desenvolver aquela enfermidade.
O resultado é sempre específico para a mutação analisada e não representa todas as doenças genéticas da raça.
AT RISK significa que o cão já está doente?
Não necessariamente.
Em algumas doenças, cães com esse resultado podem desenvolver sinais clínicos ao longo da vida.
Em outras, a manifestação pode variar em intensidade ou até não ocorrer da mesma forma em todos os indivíduos.
O teste genético identifica o genótipo, enquanto a evolução clínica depende da doença avaliada e de outros fatores biológicos.
Um cão AT RISK pode ter vida normal?
Depende da doença.
Alguns cães permanecem sem sinais clínicos por muitos anos.
Outros podem apresentar alterações em diferentes fases da vida.
Por isso, o resultado deve sempre ser interpretado pelo médico-veterinário em conjunto com o histórico clínico e os exames do animal.
Um Corgi AT RISK pode ser utilizado na reprodução?
Na prática da criação responsável, a utilização de cães com resultado AT RISK para doenças hereditárias recessivas costuma ser evitada.
O objetivo é reduzir a frequência dessas mutações na população ao longo das gerações, preservando a saúde da raça.
Cada programa de criação deve ser conduzido com planejamento genético e responsabilidade.
Como descobrir se um cão é AT RISK?
A única forma é por meio de testes genéticos realizados em laboratórios especializados.
Os laudos informam individualmente o resultado para cada mutação pesquisada.
AT RISK é igual a doente?
Não.
É importante diferenciar:
genótipo (resultado do teste genético);
fenótipo (manifestação clínica da doença).
Embora muitas doenças apresentem forte relação entre ambos, o teste de DNA não substitui a avaliação clínica do cão.
Por que os testes são importantes?
Os testes permitem que criadores planejem os acasalamentos de forma consciente.
Quando utilizados corretamente, ajudam a:
reduzir doenças hereditárias;
preservar a diversidade genética;
orientar decisões reprodutivas;
aumentar a transparência na criação.
Existe comprovação científica?
Sim.
Os testes de DNA utilizados atualmente identificam mutações específicas associadas a diversas doenças hereditárias em cães. Eles são amplamente utilizados por universidades, laboratórios e programas de melhoramento genético em todo o mundo.
Como fazemos no NEWBERY Kennel?
No NEWBERY Kennel, utilizamos os testes genéticos como parte do planejamento de longo prazo do nosso plantel. Cada acasalamento é estudado considerando saúde, genética, pedigree, temperamento e conformação, buscando reduzir o risco de doenças hereditárias sem comprometer a diversidade genética da raça.
Nosso compromisso é produzir gerações cada vez mais saudáveis e equilibradas.
Conclusão
O resultado AT RISK indica que o cão possui duas cópias da mutação pesquisada para determinada doença genética.
Entretanto, interpretar corretamente esse resultado exige compreender a doença avaliada, sua forma de herança e a situação clínica do animal.
Por isso, os testes genéticos devem sempre ser analisados em conjunto com a orientação de profissionais qualificados.
Perguntas Frequentes
O que significa AT RISK?
Significa que o cão apresenta duas cópias da mutação pesquisada para determinada doença genética.
AT RISK quer dizer que o cão já está doente?
Não necessariamente. O teste identifica o genótipo, enquanto a manifestação clínica depende da doença e de outros fatores.
Todo laboratório utiliza o termo AT RISK?
Não. Alguns utilizam a classificação Affected, embora o significado possa variar conforme a metodologia e a doença avaliada.
Um cão AT RISK pode ter boa qualidade de vida?
Dependendo da doença, sim. A evolução clínica varia entre diferentes enfermidades.
O teste genético substitui exames veterinários?
Não. O DNA é apenas uma das ferramentas utilizadas para avaliar a saúde do cão.
Diário NEWBERY
A genética moderna trouxe uma enorme evolução para a criação responsável, mas também exige interpretação cuidadosa. Um resultado isolado nunca conta toda a história de um cão. Por isso, sempre analisamos cada exame dentro de um contexto mais amplo, considerando saúde clínica, pedigree, estrutura e objetivos de melhoramento genético.
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Sobre o autor
Dr. Pedro Henrique Newbery Chineze é Médico-Veterinário, fundador do NEWBERY Kennel, presidente do Kennel Club de Londrina e coordenador do Departamento Paranaense do Welsh Corgi Pembroke.
Com experiência em genética, reprodução canina e planejamento de acasalamentos, utiliza testes de DNA como uma das ferramentas para promover a saúde e o melhoramento da raça. O NEWBERY Kennel foi reconhecido como o melhor criador de Welsh Corgi Pembroke do Brasil e conquistou, em 2025, o 7º lugar entre todos os criadores de todas as raças do país, consolidando sua atuação como referência nacional em criação responsável.